domingo, 11 de dezembro de 2011

Especial...

Há 8 anos fui escolhida para ser mãe do Vítor. Tenho certeza de que foi o toque de um anjo que me deu esse presente.Tive muito medo, um pouco de raiva, confesso; me senti até desesperada em certas horas. Sempre achei que para ser mãe, a gente precisava ser super!
Eu pensava demais em qual seria o legado a transmitir ao meu filho. Não sabia,  da divindade que me aguardava.
Com o passar destes 8 anos, foi que parei de me preocupar tanto com o que teria que ensinar, e abri espaço para notar o que estava aprendendo.
Quando me percebi sendo realmente a mãe do Vítor, foi que notei que esse amor  me inundava , e que me a minha vida sozinha, a partir daquele dia,  teria menos valor.
Nem sempre as respostas apareceram no momento que deveriam, deixando estas interrogações abertas e gerando novas dúvidas, mas foi meu filho que me deu a resposta para como amar.
Foi com ele que aprendi que o amor é um equilíbrio delicado e que avançar rápido demais, pode ser tão fatal quanto ficar para trás.
Hoje sei que é ele quem me faz atravessar todos os momentos, firmes ou trêmulos. E que passo a passo, sou eu quem sente a mão dele segurando a minha, transmitindo-me a segurança necessária para enfrentar o caminho a seguir. Sei que sua presença é a luz e a vida que eu tenho, que no seu gesto existe o meu gesto e que na sua voz, existe a minha voz.
Busco cada dia mais este equilíbrio de sentimento, que me mantém disfarçadamente sã todos os dias.
Olho para ele dormindo, pensando num jeito de deixa-lo tão sereno, que até seus sonhos quero controlar. 
Não será sempre o amor ideal, às vezes cheio de ausências, com explicações nem sempre muito justas. Mas será sempre o meu amor, minha vida.
http://www.youtube.com/watch?v=e_w_wSpC8rw&feature=related


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Perdas


Hoje ensinei meu filho a tomar refrigerante direto da garrafa quando eu não estou vendo.Trata-se de vê-lo crescer, tendo os seus segredos. É ele formando o seu caráter com as próprias experiências.
Nesses últimos meses tive muitas perdas. Espaço, confiança, amores, desamores, amigos, inimigos, entre outros. E foi sabendo que, de um segundo para o outro, perdemos pessoas importantes na nossa vida, que imaginei que ele em algum momento vai ter que saber viver sozinho, fazendo as coisas sem que eu saiba e tomando suas decisões, certas ou não.
Vindo destes momentos, lembrei de outros e me encontrei em completa nostalgia, pensando que por vezes basta um instante para encontrar alguém por quem temos andado a procura a vida toda, e ainda mais um segundo para voltar a perder, para depois conquistar novamente.
O interessante sobre a nostalgia é que ela aumenta ao entrar em contato com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade. Se alguém sente saudades ou falta de um conhecido, este sentimento cessa ao se reencontrar a pessoa, com a nostalgia é exatamente o oposto, ao reencontrar um amigo que gostava de brincar, este sentimento nostálgico irá se alimentar e não diminuir como a saudade. Ou como aquela paixão que você nunca conseguiu esquecer e quando ouve uma música se lembra daquele tempo.
E quando é que isso se relaciona com as minhas perdas? 
Na perda de tempo... Deixando de ver tantos filmes infantis quanto eu puder, de ir nas festas de aniversários e voltar com ele todo suado e dormindo no meu colo.
Quero sentir saudade, mas uma  boa, sabendo que eu não poderia ter feito nada melhor, nem por mim, nem por ele.

http://www.youtube.com/watch?v=5HI_xFQWiYU

If you need a friend,
don't look to a stranger,
You know in the end,
I'll always be there.
And when you're in doubt,
and when you're in danger,
Take a look all around,
and I'll be there.
I'm sorry, but I'm just thinking of the right words to say. (I promise)
I know they don't sound the way I planned them to be. (I promise)
But if you'll wait around a while, I'll make you fall for me,
I promise, I promise you I will.
When your day is though,
and so is your temper,
You know what to do,
I'm gonna always be there.
Sometimes if I shout,
it's not what's intended.
These words just come out,
with no gripe to bear.
I'm sorry, but I'm just thinking of the right words to say. (I promise)
I know they don't sound the way I planned them to be. (I promise)
But if you'll wait around a while, I'll make you fall for me,
I promise, I promise you...
I'm sorry, but I'm just thinking of the right words to say. (I promise)
I know they don't sound the way I planned them to be. (I promise)
And if I had to walk the world, I'd make you fall for me,
I promise, I promise you I will.
I gotta tell ya, I need to tell ya, I gotta tell ya, I gotta tellyaaaa ...

domingo, 12 de junho de 2011

Acontece...

Há algum tempo foi a festa da família do meu filho. Eu não pude ir, estava trabalhando. Ele me disse que foi o melhor dia da vida dele, mesmo sem mim. Não fiquei triste, mas me lembrei de que não existe perdão no mundo das mães. Toda trangressão, por menor que seja, é eterna e sempre punida.
Uma vez que me atraso, estou sempre atrasada, uma vez que não coloco a água na mochila, nunca lembro de mandar a água. Sempre ou nunca, não interessa qual a frequência.
Mãe, você nunca me dá nada que eu peço! Mãe, você sempre fala a mesma coisa!
Engraçado, mas ainda faço isso também, por isso, lá se vai a minha esperança de um dia a intensidade ser dimensionada no médio.
Que venha então o "Mãe, eu sempre vou te amar!!!"

domingo, 8 de maio de 2011

E voltamos ao dia das mães.



Como posso todo ano pensar em alguma coisa nova pra te dizer, se seu amor se repete sempre? 
Quando estou feliz, muitas vezes te esqueço, só me lembrando de comentar minhas conquistas e de receber os seus aplausos, que aliás, tanto me injustiçam se não vem na hora que eu quero; mas quando estou triste, você é a quem procuro primeiro, sabendo que se não houver consolo no seu colo, no de ninguém mais haverá.
Quantas vezes te critico, exigindo coisas tão pequenas para satisfazer a minha comodidade e arrogância, esquecendo meu carinho e  sempre ansiando por atenção?
É com você que eu discuto e para quem peço conselhos, mas para quem reclamo sempre de não me deixar fazer as  coisas do meu jeito.
Mãe, pra você é que eu guardo o meu maior abraço e a maior ternura, porque no final mãe, você é o retrato do amor.
Que eu consiga ser pro meu filho, uma gota do que você é pra mim, e que um dia eu te diga isso.
Por favor, não ache que eu não sei do seu valor, porque meu amor existe mesmo no meu silêncio e na minha incompetência expressiva, mas na intensidade dele estampado em um letreiro.
Hoje não foi o melhor dia das mães que eu poderia te dar, porque pode ser que eu seja boa como mãe, mas ainda tenho um caminho muito longo como filha. Mas que seja mais um dia que passou com você ainda me segurando a mão.





http://www.youtube.com/watch?v=VMCTpQYqDLI&feature=related

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dever de casa

Dia desses fui ajudar meu filho no dever de casa. A tarefa era construir algumas frases relacionadas com o cotidiano dele. Todas as frases construídas, com realizações minhas, foram atribuídas ao pai.
" Meu pai trabalha no tribunal", "Meu pai viajou para Goiânia." , "Meu pai me ajuda no dever de casa."
Nesse dia, a cada frase que eu lia, parece que uma faca atravessava meu coração e me diminuía inimaginavelmente.
Somente hoje,  pensando nessa lacuna, que por mais que eu tente, não consigo preencher, resolvi falar disso, mas mesmo assim, o que eu poderia dizer?
No começo, achei que isso era o mais puro reflexo da minha incompetência, que eu estava realmente falhando na tentativa de não fazer meu filho sofrer. Se ele atribuía tudo ao pai, que papel era o meu? Onde ele me colocava?
Passei dias assim, amuada, com esse amargo na boca. Rezei muito pra ter força e deixar que meu filho não fosse uma cobaia minha, onde eu pudesse experimentar minhas teorias ou intuições.
Depois de algum tempo, concluí que filhos são objetos  de amor, mais do que sujeitos livres para o exercício desenvolto de suas opções. Por mais que se tente controlar, o que a gente quer mesmo é controlar o filho. Não toquei no assunto, deixei que escolhesse suas frases, assim como tentarei deixá-lo livre para suas outras escolhas.
E se o lugar que me cabe, é o de alicerce para que ele me substitua de vez em quando, daí venham as divergências. Mas as que não sufocam o amor. Amor desinteressado, puro, imenso, infinito.
Sou a mãe dele, e nessa frase, não há substituição.

segunda-feira, 28 de março de 2011

A falta que faz...

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade


Hoje escrevo pra uma pessoa em especial. Escrevo pra ela porque não sei dizer, porque não consigo olhar nos olhos e assistir a dor de perder a mãe, mantendo me ainda com o discernimento de apoiar.
O sábado foi de tristeza, foi de perda pra uma querida e amada família. A mãe se foi. E o estilo dos cuidados, do abraço e do carinho prestado, foi pra uma dimensão desconhecida e, ainda por mim, temida.
Lembro me da pequenina tia Nilza e suas confusões com a palavra "patola"...rs. 
Hoje eu tenho certeza de que ela não sente mais dores, não sofre mais. Está mais perto de Deus.
Eu, se estivesse no  lugar dela, não teria aguentado muito tempo. Já teria desistido da vida. Mas ela não. Foi valente, aguentou um fardo pesado demais e é por isso que eu a tenho como uma grande heroína. Havia aqui o seu grande tesouro, que precisava de seus encantos.
Mas Deus resolveu que seria de outra forma, que a queria mais perto Dele, afinal, pessoal qualificado desse jeito não é fácil de achar. E na grande empresa do céu, era preciso alguém pra fazer o chá mate.
Ficou aqui a saudade, que sabemos, não irá passar. Vai se transformar cada dia mais em algo mais doce, e lembraremos de suas risadas com um sorriso também.
Queria hoje, poder pegar minha amiga no colo, como se faz a mãe, e tirar dela esta dor imensurável. Levá-la pra alguma sala, onde fosse possível que o tempo passasse sem as consequências dessa perda. Mas limito me a estar aqui, ao seu lado, calada dentro de minhas inadequações verbais, lidando com a difícil arte de convencer-nos do mundo real, que apresenta se com o vazio de mais uma mãe que voltou a ser anjo .

quarta-feira, 23 de março de 2011

Materialidade do sonho

O Filho Que Eu Quero Ter

Toquinho/Vinícius de Moraes

É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem

De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim
Dorme, menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme, meu pai, sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter

No melhor estilo mãe, posso realmente dizer que, sentir as diminutas mãos de meu filho passando pelo meu cabelo, deitada, assistindo a qualquer filme do Shrek ou do Toy Story, ou dormir sem quase me mexer, com a perna dele passando por cima de mim, é o melhor acalanto que meu coração recebe diariamente.
Queria poder mostrar  toda a delícia e a grandeza dos pequenos detalhes de carinhos infantis.
É preciso sentir o tanto amor que se tem, pra valorizar esse sonho lindo de morrer.
Foi o meu sonho, materializado em 50cm e 3,200Kg, no dia 10/12/2003, às 20h58 min.