quarta-feira, 23 de março de 2011

Materialidade do sonho

O Filho Que Eu Quero Ter

Toquinho/Vinícius de Moraes

É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem

De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim
Dorme, menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme, meu pai, sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter

No melhor estilo mãe, posso realmente dizer que, sentir as diminutas mãos de meu filho passando pelo meu cabelo, deitada, assistindo a qualquer filme do Shrek ou do Toy Story, ou dormir sem quase me mexer, com a perna dele passando por cima de mim, é o melhor acalanto que meu coração recebe diariamente.
Queria poder mostrar  toda a delícia e a grandeza dos pequenos detalhes de carinhos infantis.
É preciso sentir o tanto amor que se tem, pra valorizar esse sonho lindo de morrer.
Foi o meu sonho, materializado em 50cm e 3,200Kg, no dia 10/12/2003, às 20h58 min.

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