sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dever de casa

Dia desses fui ajudar meu filho no dever de casa. A tarefa era construir algumas frases relacionadas com o cotidiano dele. Todas as frases construídas, com realizações minhas, foram atribuídas ao pai.
" Meu pai trabalha no tribunal", "Meu pai viajou para Goiânia." , "Meu pai me ajuda no dever de casa."
Nesse dia, a cada frase que eu lia, parece que uma faca atravessava meu coração e me diminuía inimaginavelmente.
Somente hoje,  pensando nessa lacuna, que por mais que eu tente, não consigo preencher, resolvi falar disso, mas mesmo assim, o que eu poderia dizer?
No começo, achei que isso era o mais puro reflexo da minha incompetência, que eu estava realmente falhando na tentativa de não fazer meu filho sofrer. Se ele atribuía tudo ao pai, que papel era o meu? Onde ele me colocava?
Passei dias assim, amuada, com esse amargo na boca. Rezei muito pra ter força e deixar que meu filho não fosse uma cobaia minha, onde eu pudesse experimentar minhas teorias ou intuições.
Depois de algum tempo, concluí que filhos são objetos  de amor, mais do que sujeitos livres para o exercício desenvolto de suas opções. Por mais que se tente controlar, o que a gente quer mesmo é controlar o filho. Não toquei no assunto, deixei que escolhesse suas frases, assim como tentarei deixá-lo livre para suas outras escolhas.
E se o lugar que me cabe, é o de alicerce para que ele me substitua de vez em quando, daí venham as divergências. Mas as que não sufocam o amor. Amor desinteressado, puro, imenso, infinito.
Sou a mãe dele, e nessa frase, não há substituição.

Um comentário:

  1. Gostei muito do texto e do vídeo amor e acho vc um exemplo e já te falei isso. Não se preocupe, tudo será feito em benefício de vcs dois viu ! Beijos.

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