Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
Hoje escrevo pra uma pessoa em especial. Escrevo pra ela porque não sei dizer, porque não consigo olhar nos olhos e assistir a dor de perder a mãe, mantendo me ainda com o discernimento de apoiar.
O sábado foi de tristeza, foi de perda pra uma querida e amada família. A mãe se foi. E o estilo dos cuidados, do abraço e do carinho prestado, foi pra uma dimensão desconhecida e, ainda por mim, temida.
Lembro me da pequenina tia Nilza e suas confusões com a palavra "patola"...rs.
Hoje eu tenho certeza de que ela não sente mais dores, não sofre mais. Está mais perto de Deus.
Eu, se estivesse no lugar dela, não teria aguentado muito tempo. Já teria desistido da vida. Mas ela não. Foi valente, aguentou um fardo pesado demais e é por isso que eu a tenho como uma grande heroína. Havia aqui o seu grande tesouro, que precisava de seus encantos.
Eu, se estivesse no lugar dela, não teria aguentado muito tempo. Já teria desistido da vida. Mas ela não. Foi valente, aguentou um fardo pesado demais e é por isso que eu a tenho como uma grande heroína. Havia aqui o seu grande tesouro, que precisava de seus encantos.
Mas Deus resolveu que seria de outra forma, que a queria mais perto Dele, afinal, pessoal qualificado desse jeito não é fácil de achar. E na grande empresa do céu, era preciso alguém pra fazer o chá mate.
Ficou aqui a saudade, que sabemos, não irá passar. Vai se transformar cada dia mais em algo mais doce, e lembraremos de suas risadas com um sorriso também.
Queria hoje, poder pegar minha amiga no colo, como se faz a mãe, e tirar dela esta dor imensurável. Levá-la pra alguma sala, onde fosse possível que o tempo passasse sem as consequências dessa perda. Mas limito me a estar aqui, ao seu lado, calada dentro de minhas inadequações verbais, lidando com a difícil arte de convencer-nos do mundo real, que apresenta se com o vazio de mais uma mãe que voltou a ser anjo .